"O futebol feminino é uma ferramenta de educação", diz professora da Vila Olímpica Arthur da Távola
- Filipe Kunrath
- há 50 minutos
- 3 min de leitura

Moradora da região e ex-atleta de futebol, a professora Gabi Rodrigues, da Vila Olímpica Arthur da Távola, participa do projeto Rio: a Capital do Futebol Feminino, idealizado por Duda Luizelli. Em entrevista, ela falou sobre a importância do projeto na formação das meninas, a evolução do futebol feminino, o aumento da visibilidade da modalidade e o legado que espera deixar para as novas gerações.
Como está sendo trabalhar no projeto Rio: a Capital do Futebol Feminino na Vila Olímpica Arthur da Távola?
Gabi Rodrigues: Esse projeto tem um significado muito pessoal para mim. Sou moradora da região da Vila Olímpica e também fui atleta de futebol. Hoje, estar nesse papel de professora e poder proporcionar para uma nova geração de meninas a oportunidade de conhecer a modalidade e, ao mesmo tempo, me tornar uma referência dentro do bairro, é um ganho enorme, tanto profissional quanto pessoal.
O que passa pela sua cabeça ao ver essas meninas começando no futebol e lembrar da sua própria infância?
Gabi Rodrigues: Eu me vejo com cinco ou seis anos brincando no quintal de casa com meus irmãos. Tenho 33 anos e, naquela época, o futebol feminino ainda enfrentava muito preconceito, inclusive dentro das próprias famílias. As meninas ganhavam bonecas, kits de cozinha, maquiagem, mas dificilmente uma bola.
Hoje isso mudou bastante. As crianças têm mais liberdade para escolher o que gostam de fazer, os pais matriculam as filhas, acompanham os jogos e incentivam. Além disso, hoje existem competições de base. Quando eu tinha essa idade, praticamente não havia campeonatos. Aos 14 anos eu já precisava jogar no adulto porque não existiam categorias para meninas.
Como você avalia a evolução do futebol feminino nos últimos anos?
Gabi Rodrigues: O crescimento foi enorme, principalmente do ponto de vista tático. Antigamente os jogos dependiam muito da qualidade individual de algumas atletas. Hoje vemos equipes muito mais organizadas, com sistemas de jogo, treinamento específico e desenvolvimento técnico desde as categorias de base.
Projetos como esse fazem toda a diferença. Quanto mais cedo as meninas aprendem os fundamentos e a parte tática, maior é a qualidade do jogo. Além disso, houve uma evolução muito grande fora de campo. As atletas passaram a ter contratos, direitos de imagem, oportunidades de publicidade e muito mais reconhecimento.
Tudo isso ajuda a diminuir o preconceito histórico de que futebol seria apenas para homens.
E quanto ao consumo da modalidade? Você percebe que o interesse do público aumentou?
Gabi Rodrigues: Sem dúvida. À medida que o preconceito foi diminuindo, as pessoas passaram a enxergar as atletas pelo que elas realmente são. Hoje temos jogadoras que são mães, esposas, profissionais e referências para milhares de meninas.
As redes sociais tiveram um papel fundamental nesse processo. As atletas mostram a rotina de treinos, alimentação, viagens e competições, aproximando o público. Muitas meninas se inspiram nisso, mesmo que não cheguem ao alto rendimento.
Além disso, o futebol feminino vai muito além da competição. Ele é uma ferramenta de educação e transformação social. Eu mesma consegui cursar o ensino superior graças ao futebol, por meio de uma bolsa de estudos. Vim de uma família humilde e essa oportunidade mudou a minha vida.
Hoje você também se tornou uma referência para muitas meninas. O que mais inspira no trabalho como professora?
Gabi Rodrigues: O mais bonito é enxergar, no olhar das crianças, o mesmo olhar que eu tinha para os meus professores quando era aluna.
Nem sempre a criança chega para aprender apenas futebol. Muitas vezes ela enfrenta dificuldades em casa e encontra no projeto um ambiente seguro. Receber um abraço, ouvir que você é a professora favorita delas... isso renova as nossas forças todos os dias.
Que legado vocês esperam deixar para as meninas atendidas pelo projeto?
Gabi Rodrigues: Antes de formar atletas, queremos formar cidadãs.
Independentemente da profissão que elas escolham no futuro, espero que lembrem desse período como um momento importante da vida delas. Que recordem dos valores aprendidos aqui: respeito aos pais, respeito às pessoas, aos próprios limites e ao próprio corpo.
O nosso maior legado é contribuir positivamente para a formação dessas crianças como pessoas.
Que mensagem você deixa para as meninas que sonham em jogar futebol?
Gabi Rodrigues: Quero dizer para essa nova geração que hoje elas têm um direito que muitas mulheres no passado não tiveram. Houve uma época em que mulheres eram proibidas de jogar futebol.
Hoje vocês podem gostar de futebol, praticar a modalidade e encontrar um espaço preparado para receber vocês. Na Vila Olímpica Arthur da Távola oferecemos aulas de qualidade, acolhimento, segurança e um ambiente onde todas podem aprender, crescer e se expressar fazendo aquilo que amam.
Se você tem entre 7 e 15 anos e mora na Grande Tijuca, venha conhecer o projeto. Além de aprender futebol, você vai aprender valores que vão acompanhar toda a sua vida.




Comentários