ENTREVISTA com LUISA CASADO, professora da Vila Olímpica de Gamboa.
- Filipe Kunrath
- há 2 dias
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Fala Professor! Luiza Casado fala sobre futebol feminino e as expectativas para o "Projeto Rio"
No último mês de abril, foi inaugurado o projeto "Rio: A Capital do Futebol Feminino", idealizado por Duda Luizelli, pela Liga de Futebol Feminina Sul Brasileira (LFFSB) e pela Prefeitura do Rio de Janeiro. A iniciativa, que promove treinos de futebol feminino gratuitos, abrange 10 vilas olímpicas que possuem capacidade para cerca de 500 meninas das categorias sub-12 e sub-15.
Um dos polos do projeto é a Vila Gamboa, onde os treinos são comandados pela professora Luisa Casado. Neste contexto, conversamos com a educadora sobre as primeiras semanas de atividades e outros temas do futebol feminino!
Confira a entrevista:
Como o futebol feminino mudou nos últimos anos?
O futebol feminino passou por uma transformação significativa nos últimos anos, e os números comprovam isso, refletindo o crescimento do interesse do público e do mercado. A visibilidade da modalidade também aumentou muito, assim como os investimentos.
Outro fator importante é a realização da Copa do Mundo Feminina de 2027 no Brasil, que deve impulsionar ainda mais o desenvolvimento da modalidade no país.
Na minha vivência diária com atletas jovens, percebo isso no interesse crescente das meninas pelo futebol e na forma mais séria com que os projetos de base vêm sendo tratados. O fortalecimento das categorias de base e dos projetos de formação tem sido um dos pilares desse crescimento. O futebol feminino não precisa mais provar seu valor — agora é hora de sustentá-lo com profissionalismo e continuidade.
O que representa fazer parte da formação de futuras atletas e cidadãs?
Trabalhar na formação de meninas vai muito além do futebol. Dentro de campo, ensino fundamentos técnicos, mas, fora dele, ajudo a construir confiança, disciplina, resiliência e senso de coletividade — valores que elas levarão para a vida toda.
Ver uma menina que chegou tímida se tornar uma liderança dentro do grupo, ou uma atleta superar uma lesão e voltar mais forte, são momentos que dão significado ao trabalho. É uma transformação real, não apenas esportiva.
Com a Copa do Mundo de 2027 chegando ao Brasil, sinto que estamos plantando as sementes de uma geração que poderá colher frutos históricos para o futebol feminino brasileiro.
Que legado vocês esperam deixar para as meninas do projeto da Duda?
O legado que esperamos deixar é simples e profundo ao mesmo tempo: que cada menina que passe pelo projeto saia daqui sabendo que o campo também é lugar dela.
Queremos que elas tenham referências, acesso a uma formação séria e humanizada e que, independentemente de se tornarem atletas profissionais, carreguem o esporte como uma ferramenta para a vida.
Com 33 anos de história e cerca de 40 mil meninas formadas, o projeto idealizado por Duda Luizelli já mostra que esse legado é real. Meu papel é honrar essa trajetória e contribuir para que as próximas gerações encontrem um caminho ainda mais estruturado.
O que mais inspira você nesse trabalho?
O que mais me inspira é ver a transformação acontecendo na prática: no olhar da menina que marca o primeiro gol, na mãe que comenta, depois do treino, que a filha está mais confiante na escola, ou no grupo que aprende a respeitar o espaço umas das outras.
São esses detalhes do dia a dia que servem de combustível para continuar.
Também me inspira o momento histórico que estamos vivendo. O futebol feminino nunca teve tanta visibilidade, investimento e reconhecimento como agora. Fazer parte disso, especialmente na formação de base, é sentir que o trabalho tem impacto e futuro.
Matéria por: Arthur Vargas




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